segunda-feira, 16 de junho de 2014

COMO SE FOSSE O ÚLTIMO



E as coisas acontecem de forma rápida e incontrolável e nós ficamos inertes, estáticos, vendo-as acontecer, mesmo percebendo que contribuímos para isso. É tudo indefinível, tão incompreensível, tão natural, que não nos importamos se houveram consequências, e nessa simplicidade acabamos por nos acostumar.


O amor é assim, entra pela aberta porta da frente, acomoda-se e, de vez em quando, é ele que nos faz sair. E nós sofremos por não pode-lo alcançar. É como a lua que em certos períodos de cada mês, se faz implacável, maravilhosa, majestosa e ofusca o brilho das mesmas e incansáveis estrelas. Por comparação, o amor em certos períodos da vida, também se faz implacável, maravilhoso e dessa forma, ofusca todos os ideais, todo o sentido que damos as coisas que queremos, e a partir daí, só temos olhos para quem causou esse amor.

Mas tão incompreensível como o início de tudo, esse alguém se cansa e procura em outro caminho o que não achou em nós e se vai como chegou, rápida e incontrolavelmente e aos poucos começa a fazer parte do passado e só não é esquecido porque o amor ficou e não nos deixa esquecer, ao contrário, nos faz lembrar. E nós lembramos de quem se foi, com o mesmo carinho, e sem querer, nos surpreendemos quando ensaiamos o seu nome, fraca e timidamente ou nos vemos escrevendo o mesmo nome que repetimos tantas vezes, e até mesmo em sonhos, porque era tudo que queríamos, tudo o que nos fazia viver e existir.

Então, com o passar do tempo, sentimos uma batida mais forte no coração que aos poucos vai se tornando constante e começa a incomodar. Ele começa a pedir para sofrer novamente, como se o sofrimento anterior, não tivesse sido suficiente. E nós encontramos um outro alguém, com um novo amor, e sem perceber, ironicamente começamos a viver por ele, para ele, com ele.

E as coisas acontecem novamente e tudo se alegra, tudo se reveste de um colorido maior e especial, mais do que fascinante, tão frágil e doce que nos entorpece e muda nossos caminhos. Nos envolve inteiramente modificando cada certeza que tínhamos e as respostas já não se fazem suficientes. Um novo amor mais forte do que foi o anterior, intenso e devastador, como se desta vez fosse o último.


Edson Luiz de Mello Borges